" A Vamp: Um tipo muito especial. Você não constrói um lar e a convida para entrar, mas prepara um cocktail e a chama para sair. Ela provavelmente pedirá o divórcio em termos da incompatibilidade dos passos de dança. Indicada apenas para milionários."
- Trecho do artigo The Woman of Your Choice, Vogue América, novembro de 1923.
Esse trecho representa muito bem as garotas que ditaram moda na década de 1920: mulheres independentes que, depois de se livrarem do espartilho nos anos 1910, passaram a desfrutar de uma maior liberdade de costumes nos anos 20 e, aproveitando muito bem essa liberdade, trataram de se dar o direito de se divertir muuito nas festas da época, também conhecida como Era do Jazz.
Os anos 20, uma das minhas décadas favoritas na História da Moda, ganhou muito destaque nos desfiles do verão internacional e também apareceram bastante no SPFW e Fashion Rio, que acabaram de acontecer. Década importantíssima pra moda, porque representa uma grande mudança estética, já que as mulheres do pós-Primeira Guerra precisavam de uma nova silhueta para dar vida ao seu novo comportamento.
Típica "vamp" dos anos 20 na capa da Vogue americana de dezembro de 1921.
Até os primeiros anos do século XX, as mulheres tinham sua vida atrelada à dos maridos, e a moça de bons costumes era aquela sempre impecavelmente alinhada num espartilho. Até que o estilista francês Paul Poiret deu vida à vestidos de linhas retas e corte impecável, e as mulheres dispensaram o espartilho para experimentar a fluidez de movimentos. Com essa revolução fashion, sentiram também vontade de sair e dançar por aí e, com a Primeira Guerra, os homens foram para o front de batalha e as mulheres assumiram funções que eram deles, passando a trabalhar fora, o que consolidou as silhuetas alongadas e lânguidas, que incluíam braços à mostra, algo até então impensado para a roupa feminina.
A abundância do pós-guerra fez surgir a figura de mulheres míticas da alta sociedade e também da indústria do cinema, que inspiravam as moças com seus vestidos fluidos e de shape tubo, bonitos e, ao mesmo tempo, funcionais para se divertir dançando até altas horas... Essas eram as vamps, atrizes e socialites, sempre bem vestidas e em sintonia com o último grito da moda, incentivaram as mulheres de então a potencializar a liberdade que conquistaram, através da diversão e da descoberta de uma nova feminilidade. A silhueta tubular, afastada do corpo, com linhas limpas e modelagem fluida, dava liberdade de movimentos e, com isso, as mulheres passaram a se movimentar de maneira mais sutil, como que conhecendo os limites da nova postura. O corpo menos evidenciado exigiu uma nova linguagem corporal, estabelecendo a atitude como chave para a sensualidade.
Shape "tubo" e cintura baixa: fluidez nos anos 20
A estética simples das roupas dos anos 1920 era totalmente inédita, e a moda absorveu essa novidade com força total, com sua incrível capacidade de tornar desejo da última hora o que é mais vanguardista. O contorno do corpo mais reto gerou uma androginia na moda, já que foi nos anos 20 que as mulheres entraram de vez no guarda roupa masculino. O sumiço da linha que dividia a roupa masculina da feminina foi motivado pela vontade da mulherada de mostrar que, mesmo com os homens de volta das trincheiras, elas não iriam voltar a ocupar o papel de mera "extensão" deles e, através das roupas, expressar que manteriam a autonomia conquistada.
Capa do romance francês "La Garçonne", sobre uma mãe solteira: girl power nos 20's!
Com o corpo coberto, as mulheres sensualizavam através dos movimentos suaves e dos olhares, e tinham como ajudantes as ferramentas mais poderosas da moda atual: os acessórios. Foi nos anos 20 que eles começaram a se destacar, e os favoritos das mocinhas eram longos colares de pérolas, faixas de cabelo e casquetes, leques (que super ajudavam na hora daqueela olhada! Hahaha), além dos detalhes de plumas e franjas nas roupas.
Enfeites de cabelo e colares longos que embelezavam o colo: armas de sedução
Já deu pra perceber que a moda e, mais que isso, o comportamento feminino de hoje, começaram, mesmo que beeeeem devagarinho, lá na década de 20. Foi aí que começamos a amar os acessórios de verdade, fomos atrevidas para roubar roupas do meninos... Sempre atuais, os anos 20 são fáceis de traduzir pro nosso guarda roupa, apesar de estarem quase cem anos distantes de nós. Sabe a camiseta que você sempre usa dentro do cós da saia de cintura alta? Experimente colocá-la para fora, isso vai criar uma cintura baixa no look e, pra ficar mais 20's ainda, um colar de pérolas longo por cima faz um hi-lo super atual e arrumadinho. Aliás, colares de pérolas longos são meu truque de estilo favorito para os dias de pressa, sempre jogo um por cima das minhas camisetas de banda surradas e fica lindo! Só cuidado para não colocar as camisetas/blusas por cima de saias muito rodadas, prefira as retas para não criar um volume bastante indesejável na cintura, hein?
Explorar as texturas num look também dá um toque anos 20. Franjas e plissados, que estão em alta, misturados com peças mais básicas, são interessantes, porque lembram a época sem ficar caricato, parecendo fantasia de melindrosa. Se jogar nos acessórios é, pra mim, a melhor saída! Além do colar de pérolas, adote casquetes e enfeites de cabelo nos seus looks e, para fazer o jogo andrógino da Era do Jazz, use saias e vestidos super girlie com sapatos masculinos, como oxfords ou mocassins. Assim, é só se jogar sem medo de soltar vamp em você!
Explorar as texturas num look também dá um toque anos 20. Franjas e plissados, que estão em alta, misturados com peças mais básicas, são interessantes, porque lembram a época sem ficar caricato, parecendo fantasia de melindrosa. Se jogar nos acessórios é, pra mim, a melhor saída! Além do colar de pérolas, adote casquetes e enfeites de cabelo nos seus looks e, para fazer o jogo andrógino da Era do Jazz, use saias e vestidos super girlie com sapatos masculinos, como oxfords ou mocassins. Assim, é só se jogar sem medo de soltar vamp em você!
Looks do último verão do Marc Jacobs e montações da Bebe Zeva: 1920 nos anos 2010
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