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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Oh well, whatever, nevermind

Quanto mais nos distanciamos de uma época, parece que mais se quer resgatar os modismos e atitudes dela.  Os anos 90 não foram tão referenciados no início dos 2000, porque, afinal, parecia que foi ontem, mas, agora nessa segunda década do século XXI, junto com a onda nostálgica dos anos 50 e 60, os 90 estão voltando. Será que, quanto mais afastados de uma década, (re)interpretamos ela melhor? Foi na década de 1990 que as ruas se tornaram tão influentes quanto as passarelas, e várias propostas passaram a ser tendência ao mesmo tempo, antecipando a democracia fashion que seria mandatória nos anos 2000.


Em menos de dez anos, os cabelos enormes, as maxi-ombreiras e os exageros dos anos 80 foram prontamente colocados de lado em favor de silhuetas secas, de linhas puras, confortáveis e elegantes. Depois da "década perdida", o mundo e a economia entravam nos trilhos de novo, e o desejo de uma atitude urbana e conectada mas, ao mesmo tempo, discreta, foi traduzido pelo minimalismo. Calvin Klein foi o grande mentor dessa onda minimal: os cortes retos que valorizavam a silhueta sem comprometer o conforto viraram uniforme das mulheres modernas dos 90. Klein também disseminou o jeans como peça essencialmente cosmopolita, base do closet de homens e mulheres, e colocou uma nova forma de androginia, o unissex. Essa diluição de gêneros criou uma nova referência de sensualidade, e belezas menos femininas e mais instigantes se destacaram, como a então new-face Kate Moss. A partir dos 1990, o desejo de moda ia além das roupas e, conscientemente, passou a expressar estilo de vida.


Foi nos 90 que as calçadas passaram a ditar moda, tanto quanto desfiles ou editoriais. Talvez o movimento underground mais forte da década, o grunge teve seu maior eco na música, mas também influenciou (e modidficou) a forma de ver a moda. O boom de desenvolvimento da época, que levou à uma atitude cada vez menos autêntica, era o alvo da contestação do grunge, representada pela atitude de bandas como Nirvana e Sonic Youth. As roupas sobrepostas e de ar casual, como jeans largos, camisetas surradas, saias de malha longas e as indefectíveis camisas de flanela xadrez representavam uma outra face das cidades grandes, escondida. Mas o grunge mostrou que veio pra incomodar quando um estilista novato, vindo da cena alternativa, um tal Marc Jacobs, levou os gorros, os xadrezes e as sobreposições do movimento pra passarela da tradicional marca americana Perry Ellis, com uma mistura ousada de padronagens, como no look que mistura xadrez, listras e florais, chocando a imprensa especializada e levando a rebeldia urbana pras roupas da classe média, já que, agora, o que estava na passarela estava na rua.


Mesmo não muito forte em desfiles, as influências dos clubbers e da cultura hip-hop também foram fortes na década de 90. As duas tribos também desejavam mostrar uma nova visão de mundo, mas de maneiras diferentes: os clubbers queriam só diversão, ao som das batidas eletrônicas das raves, num resgate da psicodelia dos anos 70, mas com um toque street. Cores ácidas, leggings, abrigos esportivos e outras peças do sportswear eram típicas dos clubbers, junto com estampas ultracoloridas e geométricas. As roupas esporte também eram usadas no hip-hop, mas menos coloridas e mais utilitárias, e refletiam o dia-a-dia dos moradores dos guetos, principalmente nos EUA. Falavam abertamente sobre drogas, violência e a diversão proibida do subúrbio nas letras das músicas, e um dos grupos mais ousados eram o trio feminino TLC, tanto na sonoridade quanto nas roupas. Os anos 90 abriram caminho pras multi-referências na moda (e na vida), e espero que ainda venha muita estrada por aí...

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

How to: Blazer colorido

No calor, dá vontade de usar só short e camiseta... Mas um bom blazer é indispensável em qualquer estação do ano, e de uns tempos pra cá os coloridos (e, pras mais ousadas, os estampados) tem se destacado. Mesmo assim, um blazer bem "cheguei" não é fácil de usar pra todo mundo, mas por ter um poder incrível de tornar um look muito mais elegante e moderno, pode virar um clássico de qualquer estilo.



Acho esse tom de rosa super veranil, e é chamativo sem ser muito aparecido, como rosa choque ou laranja. Alia a leveza dos tons pastéis com uma matiz que se destaca, como uma cor intermediária, por isso é ideal pra fazer ton-sur-ton com nuances da mesma gama, como no vestido-camisa rosa chiclete, blazer rosa-goiaba e sapato vermelho. Os acessórios dourados dão um ar mais glam pra produção e esquentam o look, dão cara de verão. O blazer em degradé rosa é romântico, e junto com a saia de renda fica bem mocinha. Mas o espírito do verão fica por conta dos toques irônicos em cores inocentes, como a tacinha de martíni da carteira e o laço vermelho, o que mostra uma mulher que não tem problemas em equilibrar feminilidade e diversão.


Nada melhor que uma cor cheia de energia pra dizer "verão!" de cara... Laranja é um tom que pode ser o seu curinga nas altas temperaturas: a legging resinada, o suéter listrado e a bolsa-saco metalizada são super urbanos e a cara do inverno, mas o blazer alaranjado traz as peças pro verão da cidade grande, principalmente pelas mangas dobradas sobrepostas pelas do suéter. Forros estampados são um elemento a mais nos blazers, mesmo num modelo de cor neutra, dobrar as mangas e mostrar a estampa já dá um toque de alegria. A estampa interna do blazer é um bom início pra misturar estampas, que, não adianta, são uma constante no verão. A harmonia é sempre garantida, com estampas que tem as mesmas cores em destaque.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Summertime!

Voltando com a programação normal (UHUUUU! Entreguei meu último trabalho, prorrogado, na sexta!), tô cheia de idéias pra posts futuros, e vou começar com as apostas pro próximo verão, como falei no post dos sneakers. Essa temporada de verão foi uma das mais elaboradas que eu já vi, com sopro novo da década de 80 (junto com os ainda presentes 50 e 60) e estampas incríveis.


O sportswear e os anos 80 aparecem com força no verão 2013. As roupas com ar esportivo estão presentes há muitos verões, mas voltaram com mais força e bem mais versáteis, com ar de romance street, como na Cavalera, urbano luxuoso na Agatha ou a mocinha futurista do Reinaldo Lourenço. Vestidos estruturados com decote nadador, casacos de modelagem casulo e sobreposições com bermudas-ciclista são chave pra levar o esporte pra rua, principalmente se usados com peças mais curtinhas, como vestidos e shorts. A década de 80 deu as caras, nos ombros estruturados, com ombreiras, na Triton, ou mangas-presunto, na passarela do Alexandre Herchcovitch. As leggings também trazem referências dos 80, e vêm nos mais variados tecidos e texturas, mas as enceradas, como na Animale, prometem se manter como preferência.


O ar feminino, com toques dos anos 50 e 60, continua, mas agora são base pra vários temas diferentes. Os tubinhos e vestidos de cintura marcada foram "apimentados" por texturas, estampas e cores que se destacam mais que a modelagem. Inspirado no universo das flores, o desfile da Tufi Duek apresentou vestidos super femininos, com dobraduras em formato de pétalas, delicadas e bem modernas. A modelagem mais limpa com texturas mais urbanas, como o vinil e a estampa em alto relevo, dão um sopro novo ao futurismo dos anos 60, na leitura da Fernanda Yamamoto. A combinação de violeta, azul bic e laranja é classuda, e aproveita a paleta do inverno. Andrea Marques coloca os vestidos trapézio na passarela como t-shirts alongadas, dando um toque low-profile à feminilidade que é sua marca registrada. A Têca aproveitou pra colorir os vestidos "bonequinha" com estampas inspiradas nas viagens de Júlio Verne e a 2nd Floor, numa boa sacada, apostou no tema western, com vestidos texturizados em chamois, mas ainda assim bem leves pro verão, fugindo dos temas óbvios pras altas temperaturas.


As estampas e texturas desse verão são de encher os olhos! Na Têca e na Herchcovitch, estampas de fundo neutro, como preto e cáqui, são inspiradas em viagens pelo mundo e a atemporalidade delas, como dá pra ver no tratamento da estampa da Herchcovitch, que o cáqui dá aspecto antigo ao mapa. Estampas geométricas em cores vivas, como laranja, verde-água e azul, foram as apostas da Colcci e da Triton, que fogem do típico floral-folhagem dessa estação, e dão um verniz urbano, mas com astral de verão, pra leggings e vestidos. As aplicações da Coven e da Espaço Fashion tem efeito incrível, já que os arabescos aplicados nas peças são em alto relevo, além de agregar essas formas na estamparia de verão. Aliás, as da Espaço foram boladas pela Andreea Mandrescu, designer têxtil romena radicada em Londres, que já fez trabalhos pro Alexander McQueen (!!!). A textura adamascada das flores de cerejeira da Triton, que misturou a urbanidade pop com toques das meninas modernetes do Japão, enriquece a coleção visualmente e equilibra essa mistura com elementos japoneses tradicionais. O navy foge do comum na passarela do Reinaldo Lourenço, que ao invés de apostar nas manjadas (mas ainda muito amadas!) listras, toma os elementos das cordas e nós dos marinheiros. Opção é o que não falta... Bom verão pra vocês! 

Fotos: FFW

quarta-feira, 16 de maio de 2012

MTP: Lucas Magalhães, Plural e Aurea Prates

O último dia de desfiles do Preview, 26.04, foi o mais rico em propostas, indo do urbano sexy do Lucas Magalhães até o étnico cheio de vida da Mary Design, que fez um desfile tão incrível que vai ganhar um post só pra ele! Lucas, Plural e Aures Prates abordaram a feminilidade de formas diferentes, todas caminhos fortes para o próximo verão.





Um dos desfiles mais bem desenvolvidos do MTP foi o do Lucas Magalhães. Boa mistura de tecidos e uma proposta de silhueta rígida, mas sem cair no minimalismo, com formas urbanas que privilegiam o corpo. A sobreposição de comprimentos deu movimento aos looks, assim como as produções pontuadas por tops mais justos, como o conjunto de corset curto e calça. As estampas, característica sempre marcantes nas coleções de Lucas, vieram, na maioria, localizadas, na lateral das calças, shorts e vestidos. Os motivos geométricos poderiam virar uma estampa tribal, mas a sobreposição deles deu um toque op art, bem anos 60. Lucas explorou mais modelagens e texturas, a exemplo dos looks incríveis em areia e branco, que sobrepõe tecidos. A paleta de cores teve os onipresentes azul-bic e verde-água, junto com cores de base que apareceram menos, como preto e marrom, além do laranja. Lucas Magalhães mostrou que um jovem estilista pode sair da zona de conforto e fazer uma coleção coesa, sem forçar o "underground".




A Plural apresentou coleção versátil e com muita influência do sportswear. Peças afastadas do corpo e de linhas arredondadas são a marca mais evidente das roupas esportivas, mas a modelagem bem feita e o styling com maxicolares e sandálias anabela dão a dose extra de classe. A silhueta pontuada por volumes, linhas arredondadas e pontos próximos ao corpo também sofistica os looks, e a presença da estampa liberty em alguns looks dá jovialidade à coleção, mas não infantiliza, já que ela foi pincelada e ficou mais moderna. A paleta de azul-bic, laranja e branco é elegante, mas previsível.




Aurea Prates mostrou looks cheios de doçura, saudosos da elegância de outros tempos, mas conectados com o aqui e o agora. As referências pinçadas das mocinhas dos anos 50, como as cinturas marcadas, a calça cigarrette e o comprimento nos joelhos, foram modernizados com recortes nas mangas, casacos com jeito de abrigo esportivo, barra do short arredondada e pedaços da barriga de fora. A renda foi muito bem explorada no desfile, em peças inteiras, como as saias lápis mídi e em aplicações localizadas, em mangas e bainhas. O jogo cromático do desfile foi incrível, começando pelos tons de azul, verde e rosa pastel, passando por essas mesmas cores em tons fortes, como o rosa choque, junto com o laranja e amarelo, até finalizar com  madrepérola enriquecido com aplicações de cristais. Uma mocinha que quer viver a elegância de outrora, mas nos anos 2010.


Fila final da Aurea Prates, liiinda de viver!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

MTP: Jardin e Clair

Os desfiles do dia 26.04 no MTP continuaram se dividindo entre as duas grandes vertentes do próximo verão: feminilidade em foco, seja ela mais romântica ou minimalista.  Os primeiros do dia foram Lucas Magalhães, Jardin e Clair. O desfile do Lucas vem depois, porque a montagem tá muito grande, assim que eu conseguir resolver, posto! #analfabetadigital


A Jardin, da estilista Bárbara Renault, apresentou uma silhueta estruturada, pautada pelas formas dos anos 60, que exploram o corpo em diferentes partes, ora focando os ombros, ora desenhando o quadril em A. Cores que evoluem do pastel para os tons fortes marcaram a cartela cromática, que pontuou o branco, o bege e o areia com verde e azul pastel, além do laranja e do azul marinho bem intensos. A pluralidade da coleção é ótima, com vestidos, saias, calças e shorts, variedade que não faz o styling ficar confuso. As cores blocadas e a modelagem geométrica tornou a mulher da Jardin mais elegante e moderna, sem perder a fluidez característica da marca, provando que a mulher moderna, que precisa de versatilidade no closet, não perde a vontade de ser menina.




Expert em tramas, a Clair mostrou toda essa habilidade no MTP. As texturas sofisticadíssimas encheram os olhos da platéia, como também a misturas das tramas com couro, provando que ele chegou pra ficar nas temporadas de verão.  Sem se pautar em nenhuma grande tendência da temporada e deixando aflorar seu DNA, a estilista Clair Jesus desfilou vestidos longos e curtos em clima de balneário, mas que com os complementos certos, transita com desenvoltura na cidade também. O laranja (de novo!) acende a paleta de cores, que tem como base os neutros, bege e areia. Uma coleção que gera desejo, mas não perde a identidade.



terça-feira, 8 de maio de 2012

MTP: Alessa, Fabiana Milazzo e Vitor Zerbinato

Assistir um desfile é um desafio pro olhar... Observar silhuetas, cores, estampas e comprimentos diferentes e achar um fio condutor entre todos esses elementos não é simples, mas é uma delícia. Não tenho pretensão de ser crítica de moda nesse post, vou analisar os desfiles com o olhar sobre moda que construí até hoje, com o que pesquisei e aprendi. No dia 25.04, o Preview teve os desfiles da UMA, e.Store e Patogê, mas não consegui boas fotos #snif Alessa, Fabiana Milazzo e Vitor Zerbinato, as três últimas marcas do dia, apresentaram propostas que, pelo que eu percebi, vão ser as mais certeiras pro próximo verão.



Alessa, carioquíssima, não fugiu às raízes. Comprimentos quase sempre longos, silhuetas amplas e fluidas, soltas ou acinturadas, e estampas que lembram o fundo do mar fizeram uma coleção que é a cara do lifestyle do Rio. A estamparia era feita de conchas que, ao longo do desfile, iam esmaecendo e se transformando em formas abstratas, bem psicodélicas, em fundo preto ou branco, num efeito bem interessante, mas achei que as texturas podiam ter sido mais exploradas, como no longo de estampa metalizada e no tomara-que-caia de camadas, que mistura superfícies furta-cor com outras mais rústicas. Também senti falta do lado mais urbano da Alessa, das camisetas com frases divertidas e dos acessórios gigantes... Só teria a acrescentar à cartela de cores ácidas, com rosa, verde e azul shocking. 




O desfile da Fabiana Milazzo mostrou o forte da estilista: modelagem. Silhueta  sempre próxima do corpo, seja mais ou menos estruturada, cheia de elegância e feminilidade. Fabiana também apostou bastante em texturas, como renda metalizada, paetês, recortes e até aplicação de boquinha, como no primeiro longo da foto. Aliar modelagem primorosa e texturas incríveis enriqueceu a coleção, que como é nitidamente focada em moda festa, poderia cair na mesmice. A inspiração do desfile foram as mulheres das músicas de Chico Buarque, inocentes e sensuais, e essa dualidade foi muito bem explorada na cartela de cores, composta de prata, branco-neve, off-white, vermelho e rosa, como numa descoberta das várias nuances da mulher. A beleza simples, que destacava a pele e os lábios, e os cabelos lisos, privilegiaram as roupas.


Um dos desfiles com mais apuro técnico, de todos os que eu vi, foi o do Vitor Zerbinato. Inspirado pelas profundezas do oceano, o estilista apresentou uma silhueta impecável, em linha A, lembrando rabo de peixe e sempre próxima do corpo. As texturas tiveram ótima evolução do início ao final do desfile, começando com camadas, pontuado com recortes, os dois feitos a laser, e finalizando com paetês foscos arredondados que remetiam às pérolas negras do mar. A cartela de areia, branco, marinho, amarelo e preto mostra bem a transição em direção ao fundo do oceano, e o amarelo e o preto nos looks finais, de moda festa, tradição de Zerbinato, reforçaram o visual deles, mas também  fez destoar dos looks do início. A beleza, com cabelos puxados pra trás com gel e texturas gloss, foi acertada, reforçando a imagem de sereia urbana.

Fila final do Vitor Zerbinato

segunda-feira, 26 de março de 2012

Saias, pra que te quero...

Sumi, mas voltei! Não postei no blog essa última semana porque tava viajando e não levei notebook, mas tô de volta e cheia de ideias... E vou começar falando da minha peça de roupa mais-favorita-de-todos-os-tempos: as saias! Vedetes do inverno lá fora e aqui também, elas são super versáteis e não fazem só looks mulherzinha, podem ser rocker, fatale, perua...

Saia Lápis

Casual ou romântica?

A saia lápis tem um mood mais formal, mais mulherão, e é por isso que eu acho mais interessante quebrar o ar "executiva sexy" com camisetas de banda e tricôs bem molinhos, de preferência pra fora do cós da saia, pra deixar o visual mais urbano. Pra completar, acessórios mais casuais, como bolsas à tiracolo, oxfords e sapatilhas, deixam o look descontraído, mas não deixam a saia perder o chic. Pra quem quer exercitar o lado ultra feminino da saia lápis, vale apostar em camisas com transparência, de seda ou renda. A lingerie pode ter uma textura diferente, pra fazer um mix com o tecido da camisa, e o visual pode ser romântico ou fatal, dependendo das cores, sóbrias ou mais claras. Salto alto, sejam peep-toes ou scarpins de bico redondo, e bolsas estruturadas, potencializam a sensualidade austera da saia lápis.

Saia Evasê

A mais menininha de todas, a evasê pede blazers e acessórios pesados

O modelo de saia evasê, por não ser justo no quadril, é o que veste melhor a maioria dos tipos físicos e também o mais democrático. A evasê deixa qualquer look super feminino no ato, até nas produções mais rocker. Pra balançar o "doce" da peça, blazers alongados com ar mais masculino são uma boa pedida, junto com modelos em cores sóbrias e texturas mais fetichistas, como a saia de couro vinho (eu quero!), além dos acessórios mais escuros e abotinados. A sobreposição de tricô e camisa xadrez deixa a saia floral menos romântica e mais invernal, ainda faz ótimo clash de estampas e dá um toque mais nerd, pra fugir do contraste só com o preto rock'n'roll.

Longas & Mídi

Saias fluidas também tem a cara do inverno

Geralmente mais usadas no verão, mesmo muito presentes nas passarelas de inverno, as saias longas ou médias também fazem bonito no frio. Esses dois comprimentos pedem  cuidado na hora de compor o look, especialmente a saia mídi, que por terminar na metade da canela, achata a silhueta. Apostar em cores sóbrias, como verde musgo e vinho, ajuda diminuir o efeito "achatador" da mídi, e outra boa pedida, pros dias de mais frio, é usar meia calça preta + sapato preto, pra alongar o restinho de perna que aparece. Como as saias longas dispensam sobreposições na parte de baixo do look, é bom variar com coberturas na parte de cima, com coletes, jaquetas e cardigãs. Isso define a pegada do look: colete de pele pras mais folk, jaqueta biker pras roqueiras e cardigã pras românticas. Usar calça é prático, mas as saias deixam o inverno bem mais chic...

sexta-feira, 9 de março de 2012

Invernos

Acho a sincronia dos calendários de desfiles daqui e do hemisfério Norte ótima! Quando a gente acaba de desfilar nosso inverno 2012, eles desfilam logo depois as tendências pro próximo inverno deles... Além de já podermos incorporar as novas "modas" no guarda roupa antes das colegas europeias e americanas, dá pra ver que os rumos dos estilistas, mesmo com uma estação de diferença, são parecidos e que tá todo mundo sintonizado. Não é o máximo?

Burberry e Joseph Altuzarra: inverno das saias

Assim como no inverno desfilado em São Paulo e no Rio, as saias dominaram as passarelas internacionais. Lápis, evasê, godê... Todos os tipos e modelagens tiveram seu lugar, e o styling pedia meias calça e botas, de cano curto e pegada masculina, como na Burberry, ou acima do joelho e bem fetichista, na Altuzarra. Pra dar um "tchan" no visual, é bom apostar em meias texturizadas (renda, flores) e nos mesmos tons do sapato, pra dar aquela alongada na silhueta. Pode ser qualquer cor! Preto, vermelho, azul, berinjela...

Oscar de la Renta e McQ, segunda linha da Alexander McQueen: textura & estampa

Enquanto por aqui a mistura de texturas ganhou mais destaque, lá fora elas dividiram espaço com as estampas. Autor de uma das mais faladas da temporada, Oscar de la Renta deu um zoom em joias de ar vintage e estampou em saias, casacos e vestidos. Fiquei apaixonada pela mistura da estampa de joia com os arabescos de jacquard, na primeira foto, e pela estampa em si, que deu um ar mocinha moderna pro desfile. A rainha das texturas há muitas temporadas, internacionais ou não, é a renda, renovada com misturas de cores diferentes, de tons invernais, como preto + bordô na McQ, que fez um desfile digno da marca-mãe. 

Casacos, casacos, casacos...

Os casacos deram o tom dos desfiles de inverno, quase sempre fazendo as vezes de vestido. Os cortes são diferenciados, como o de lapelas da Burberry, e os modelos tem texturas, como o verde militar da McQ. O espírito dos casacos é sempre feminino, acinturados ou com detalhes em pele, agradando das mais peruas às mais roqueiras.

Silhuetas 50's e 60's nos desfiles Oscar de la Renta e Erdem: nostalgia

Vendo os desfiles gringos, senti uma nostalgia da elegância de outros tempos no ar. Vestidos curtos, acinturados e evasês, cabelos presos com enfeites e tiaras (posts logo menos!) e muitos outros elementos femininos, dando aquele toque vintage dos anos 50/60.   A modernidade ficou por conta das misturas de textura/estampa, pelo styling com acessórios mais pesados e releituras de penteados menininha, como o cabelo supervolumoso do desfile do Oscar. Eu amo essa onda vintage, já que modernizar clássicos tem tudo a ver comigo. Afinal, a moda sempre resgata a si própria de novos jeitos...

Chanel e Prada: India meets Europe

A silhueta dos anos 60 ganhou toques indianos na Prada e na Chanel. Túnicas sobre calças bem sequinhas têm tudo a ver com 1960 e lembram também as roupas das mulheres da Índia, que usam sáris super ricos com calça por baixo. A Índia da Chanel ganhou um verniz mais clássico, com cores escuras e colares de linhas mais retas, enquanto a Prada, bem pop, misturou estampas num visual conjuntinho. A moda já caiu de amores pelas tribos africanas e agora volta suas antenas pra Índia. Não gosto muito de étnico, mas acho incrível a capacidade dos estilistas de traduzirem culturas tão distantes nas tendências mais-mais...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Pele

O mix de texturas sempre foi um dos meus maiores trunfos na hora de me vestir, como boa adepta do hi-lo que sou, e amei quando eles despontaram como tendência forte no inverno. As texturas invernais são super variadas, tem lã, tricô, tweed... Mas a minha favorita do inverno é a pele (fake, claro!). Não dá pra usar e abusar dela no nosso inverno tropical, mas dá pra usar boleros ou coletes nos dias mais frios. 


Anna Wintour: pele + tricô

Achei ótimo esse look da poderosíssima Anna Wintour, editora-mor da Vogue US, que inspirou a amada Miranda Priestley, inesquecível, né? Muito discreto e em tons sóbrios, mistura o tricô do suéter com a pele do casaco, e fica mais interessante com o maxicolar, que, além de dar um toque de cor, enriquece o look com a textura brilhosa. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

How to: calças estampadas

Calça estampada é uma tendência muito divertida, mas tem que ter mais cuidado na hora de usar do que as outras, já que dependendo da modelagem (que tem que ser MUITO boa) a estampa pode engordar ou criar volumes indesejados nos nossos lindos corpinhos, e isso ninguém quer, né? Kkkkk...

Enfim, tava a fim de falar das calças estampadas desde que li uma reportagem maravilhosa na Vogue Brasil de janeiro e, em comum com tudo que eu vi, pra não escorregar usando essas peças, é bom seguir o que, pra mim, é a dica de ouro pra se vestir bem: se a calça é larga, a parte de cima tem que ser ajustada, e se a calça é mais skinny, usar com uma blusa mais larga ou com camisa aberta até a altura do quadril, pras meninas que acham o seu muito grande, pra dar uma suavizada.

Esse tipo de calça compõe looks mais urbanos, então, como escolha de acessórios, vi muita bolsa grande à tiracolo e sapatos abotinados, principalmente plataformas giga. Mesmo com toda pinta de "roupa de hipster", os acessórios é que vão definir o espírito da sua calça estampada.

Estampa ikat e de oncinha (eu quero!)

Se a estampa é mais ousada, como a dos looks aí de cima, os complementos são neutros: olha aí as camisetas lisas e as plataformas em preto. A modelagem da calça ikat é mais larga, então a camiseta foi pra dentro do cós, pra ajustar, e o suéter pra fora da skinny de leopardo, que, aliás, eu quero pra ontem, deu um ar mais cool pra calça. Amo o toque inesperado do super laranja do suéter, e já que a estampa é composta por tons neutros, pode abusar de todas as cores.

Estampas escuras: hipster chic

Cores escuras ou a combinação atemporal de preto e branco são excelentes pedidas pra dar um toque clássico às calças com print ousado. A combinação de bordô + preto na calça de estampa étnica, junto com o maxicolar e o sapato mais fino, ficou elegante, mas não menos descolada. A calça p&b combinada com o casaquinho recortado e o batom vermelho-tomate ficou chique, com o toque de urbanidade dado pelas botas pesadas. As calças em tons sóbrios são a melhor opção pra quem quer investir nessa trend, já que combinam com tudo.

Tons parecidos: efeito conjuntinho

Combinar calça e blusa em cores parecidas, como os tons terrosos da foto, dão o efeito conjuntinho que apareceu bastante nos desfiles inverno. Nesse look aí de cima, as cores não tão muuuito parecidas, mas todas fazem parte da paleta do bege, e a combinação de camisa sem manga e legging, além das bermudas, é uma forma de fazer um conjuntinho mais atual.

Clássica com poás (eu quero também!) ou alternativa com verde fluo: estampas mil

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Quando o frio chegar...

Depois de acompanhar os desfiles da São Paulo Fashion Week e do Fashion Rio, resolvi destacar só as tendências que eu gostei mais, porque análise de desfile é outra história, né? Enfim, um dia ainda vou ser editora! Kkkkkk...

O inverno brasileiro não é rigoroso, então pincei propostas versáteis para dias de "tempo indefinido" e também as que achei mais frescas, que mesmo que já tenham aparecido antes em desfile, sinto falta de ver nas ruas. Quando der aquela esfriadinha (quem não ama tirar aquele casaco lindo do armário?), aposto no mix de texturas, nos metalizados e nos conjuntinhos.

Mistura de texturas na 2nd Floor, Alexandre Herchcovitch e Colcci

Renda e chamois, tweed e pele, couro e tricô.... Essas e muitas outras misturinhas foram vistas nas passarelas de inverno, e agora a mistura de texturas não vem só como suporte de outras tendências, mas como uma proposta de destaque, apesar de já ser lei em moda de rua há muito tempo. É uma ótima oportunidade de exercício de estilo, e por isso tem que ter muita atenção nos volumes e nas proporções das texturas, pra mistura ficar harmônica.

A renda bordô com chamois caramelo do Alexandre Herchcovitch (amei o desfile ao cubo!) foi uma das combinações mais originais, e pode ser adotada tanto pelas meninas mais bonequinha como pelas mais grunge, já que o xadrez também entra na dança. Tweed e pele é uma combinação mais luxuosa, que combina mais com um friozinho mais puxado, e pra usar à noite, e o short de couro com tricô é a mais usável a qualquer hora, principalmente agora que o couro ganhou versões mais leves, além do que, pro inverno brasileiro, é melhor substituir o suéter por um cardigã, que se encalorar, é só tirar.

Brilho dos metais no Alexandre Herchcovitch (de novo!), Iódice e na Patachou

Meu espírito de perua grita quando eu vejo brilho! Kkkkk.... Os metalizados em dourado, cobre e prata bombaram em muitos desfiles. A mistura dos diferentes metalizados tem um efeito incrível, maaaaas pra não ficar parecendo astronauta perdida, misturar com acessórios de diferentes tons ou comprar uma peça curinga poderosa, como uma jaqueta ou uma saia lápis metalizada, é mais interessante e menos literal.

Conjuntinhos! Voltam repaginados, nos desfiles de Fernanda Yamamoto e Triton

Combinandinho foi considerando brega por muito tempo, mas os conjuntinhos do inverno não têm nada de careta, já que as estampas espelhadas, como no paletó + calça da Triton (amei o desfile ao cubo também!) e da Fernanda Yamamoto, dão modernidade ao visual "igualzinho". Outra boa idéia pra dar bossa aos conjuntinhos é não se prender aos modelos de calça e saia lápis, mas apostar em shorts e bermudas e usá-los junto com t-shirts e acessórios divertidos.

Printing, Herchcovitch e Patachou: conjuntinho, texturas ou metalizados?


Fotos: Vogue Brasil

sábado, 4 de fevereiro de 2012

How to: saias assimétricas

Desfiles são lindos e fazem sonhar, mas as ruas são o maior termômetro de tendências, porque moda é muito mais que mostrar roupas, é comportamento. E a gente só tem a ganhar com diálogo entre passarela e as calçadas desse mundão...

Em posts "how to" vou mostrar tendências streetstyle (ou não! rs) que mais me agradam, começando pelas saias assimétricas, ou mullet, porque são curtas na frente e longas atrás, que nem aquele corte de cabelo horroroso! Kkkkkk....

As mullets são bem ousadas e agradam às meninas que curtem experimentar mais na hora de se vestir, e por terem um comprimento diferente, tem que ter muita atenção ao caimento e proporção dos outros elementos do look. Essas saias são sempre fluidas, e as coloridas são minhas favoritas! Não tenho uma até agora porque toda vez que experimento, me sinto mais baixinha do que eu já sou, mas acho lindo anyway.


Perua chic, roqueira mocinha ou etno-minimalista: mullet pra todas! 

Tem 1001 jeitos de usar saia mullet, pra todos os estilos. O look da Blair Eadie é mais maximalista, com pele e acessórios dourados, além dessa jaqueta linda. Os acessórios mais perua e o sapato de bico fino, super sexy, contrabalançaram a doçura da saia plissada em tom pastel. Já o look do meio é pras moderninhas, e é um ótimo exemplo do hi-lo que as mullets podem fazer... Como são fluidas, misturar com tecidos pesados, como pulôveres de tricô, ou tops mais descontraídos, como t-shirts, fazem contrapontos interessantes. A blusa de póas tem o mesmo mood romântico da saia rosa, mas ankles pesadas e a jaqueta de couro dão um toque rock (#adoro!) cheio de personalidade. 

O "tchan" do último look fica por conta das plataformas de estampa étnica e o cintinho de tressê, que dão esse perfume tribal pro look que, sem eles, seria mais simples, não fosse pelo verdão da saia. Minimalismo étnico, enfim. As saias mullets são mais fashionistas, mas acho que vale experimentar, sempre. Vou experimentar uma de novo, pra ver se desencano do meu tamanho! Kkkkk...


Bia Perotti: musa das mullets

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Anos 20 e a mulher moderna

" A Vamp: Um tipo muito especial. Você não constrói um lar e a convida para entrar, mas prepara um cocktail e a chama para sair. Ela provavelmente pedirá o divórcio em termos da incompatibilidade dos passos de dança. Indicada apenas para milionários."
- Trecho do artigo The Woman of Your Choice, Vogue América, novembro de 1923.

Esse trecho representa muito bem as garotas que ditaram moda na década de 1920: mulheres independentes que, depois de se livrarem do espartilho nos anos 1910, passaram a desfrutar de uma maior liberdade de costumes nos anos 20 e, aproveitando muito bem essa liberdade, trataram de se dar o direito de se divertir muuito nas festas da época, também conhecida como Era do Jazz.

Os anos 20, uma das minhas décadas favoritas na História da Moda, ganhou muito destaque nos desfiles do verão internacional e também apareceram bastante no SPFW e Fashion Rio, que acabaram de acontecer. Década importantíssima pra moda, porque representa uma grande mudança estética, já que as mulheres do pós-Primeira Guerra precisavam de uma nova silhueta para dar vida ao seu novo comportamento. 

Típica "vamp" dos anos 20 na capa da Vogue americana de dezembro de 1921.

Até os primeiros anos do século XX, as mulheres tinham sua vida atrelada à dos maridos, e a moça de bons costumes era aquela sempre impecavelmente alinhada num espartilho. Até que o estilista francês Paul Poiret deu vida à vestidos de linhas retas e corte impecável, e as mulheres dispensaram o espartilho para experimentar a fluidez de movimentos. Com essa revolução fashion, sentiram também vontade de sair e dançar por aí e, com a Primeira Guerra, os homens foram para o front de batalha e as mulheres assumiram funções que eram deles, passando a trabalhar fora, o que consolidou as silhuetas alongadas e lânguidas, que incluíam braços à mostra, algo até então impensado para a roupa feminina.

A abundância do pós-guerra fez surgir a figura de mulheres míticas da alta sociedade e também da indústria do cinema, que inspiravam as moças com seus vestidos fluidos e de shape tubo, bonitos e, ao mesmo tempo, funcionais para se divertir dançando até altas horas...   Essas eram as vamps, atrizes e socialites, sempre bem vestidas e em sintonia com o último grito da moda, incentivaram as mulheres de então a potencializar a liberdade que conquistaram, através da diversão e da descoberta de uma nova feminilidade. A silhueta tubular, afastada do corpo, com linhas limpas e modelagem fluida, dava liberdade de movimentos e, com isso, as mulheres passaram a se movimentar de maneira mais sutil, como que conhecendo os limites da nova postura. O corpo menos evidenciado exigiu uma nova linguagem corporal, estabelecendo a atitude como chave para a sensualidade. 

Shape "tubo" e cintura baixa: fluidez nos anos 20

A estética simples das roupas dos anos 1920 era totalmente inédita, e a moda absorveu essa novidade com força total, com sua incrível capacidade de tornar desejo da última hora o que é mais vanguardista. O contorno do corpo mais reto gerou uma androginia na moda, já que foi nos anos 20 que as mulheres entraram de vez no guarda roupa masculino. O sumiço da linha que dividia a roupa masculina da feminina foi motivado pela vontade da mulherada de mostrar que, mesmo com os homens de volta das trincheiras, elas não iriam voltar a ocupar o papel de mera "extensão" deles e, através das roupas, expressar que manteriam a autonomia conquistada.

Capa do romance francês "La Garçonne", sobre uma mãe solteira: girl power nos 20's!

Com o corpo coberto, as mulheres sensualizavam através dos movimentos suaves e dos olhares, e tinham como ajudantes as ferramentas mais poderosas da moda atual: os acessórios. Foi nos anos 20 que eles começaram a se destacar, e os favoritos das mocinhas eram longos colares de pérolas, faixas de cabelo e casquetes, leques (que super ajudavam na hora daqueela olhada! Hahaha), além dos detalhes de plumas e franjas nas roupas.

Enfeites de cabelo e colares longos que embelezavam o colo: armas de sedução

Já deu pra perceber que a moda e, mais que isso, o comportamento feminino de hoje, começaram, mesmo que beeeeem devagarinho, lá na década de 20. Foi aí que começamos a amar os acessórios de verdade, fomos atrevidas para roubar roupas do meninos... Sempre atuais, os anos 20 são fáceis de traduzir pro nosso guarda roupa, apesar de estarem quase cem anos distantes de nós. Sabe a camiseta que você sempre usa dentro do cós da saia de cintura alta? Experimente colocá-la para fora, isso vai criar uma cintura baixa no look e, pra ficar mais 20's ainda, um colar de pérolas longo por cima faz um hi-lo super atual e arrumadinho. Aliás, colares de pérolas longos são meu truque de estilo favorito para os dias de pressa, sempre jogo um por cima das minhas camisetas de banda surradas e fica lindo! Só cuidado para não colocar as camisetas/blusas por cima de saias muito rodadas, prefira as retas para não criar um volume bastante indesejável na cintura, hein?


Explorar as texturas num look também dá um toque anos 20. Franjas e plissados, que estão em alta, misturados com peças mais básicas, são interessantes, porque lembram a época sem ficar caricato, parecendo fantasia de melindrosa. Se jogar nos acessórios é, pra mim, a melhor saída! Além do colar de pérolas, adote casquetes e enfeites de cabelo  nos seus looks e, para fazer o jogo andrógino da Era do Jazz, use saias e vestidos super girlie com sapatos masculinos, como oxfords ou mocassins. Assim, é só se jogar sem medo de soltar vamp em você!


Looks do último verão do Marc Jacobs e montações da Bebe Zeva: 1920 nos anos 2010

sábado, 14 de janeiro de 2012

Cores em contraste X cores pastel

Já que estou num mood de cores, assunto dos meus preferidos em moda, percebi "coincidências cromáticas" nos desfiles de verão 2012, tanto aqui no Brasil como no exterior.

Não estou fazendo crítica de moda, apenas mostrando a minha perspectiva sobre o que as passarelas mostraram, até porque temos as ótimas resenhas do FFW e do time da Vogue. Acho incrível a capacidade da moda de conciliar propostas antagônicas: cores intensas, ora em contraste com tons neutros, ora misturadas em color blocking, e cores pastel, em looks totais ou coordenadas entre si, numa mesma temporada.

Phillip Lim, Alexandre Herchcovitch, Gloria Coelho e Marni: Cores intensas X tons pastel

As cores fortes já vinham como forte tendência desde o inverno, no calendário brasileiro, e do verão 2011 gringo. Como esquecer as combinações de roxo + laranja e verde + turquesa do desfile da Gucci naquela temporada? As cores pastel começaram a se destacar no nosso último verão e no último inverno do hemisfério norte, e chegaram para dividir espaço com as cores vibrantes. A paleta mais suave surgiu em diferentes shapes, tanto em looks minimalistas, como o do americano Phillip Lim, ou numa proposta mais ladylike com perfume 50's, como os vestidinhos acinturados de Herchcovitch (amei muito o desfile!).


Looks em tons pastel e cores fortes.

Agora, como isso apareceu nas ruas, que, afinal, é o que conta pra nós, consumidores de moda. Interessante a forma como a mocinha misturou duas nuances de um mesmo tom no top e na calça, em ton-sur-ton, que é a mescla de diferentes tons de uma mesma cor. A combinação deu um ar elegante ao look bem urbano, bem pontuado por acessórios pretos, mas para dar mais leveza à produção, como estamos no auge do verão, optaria por sapato e bolsa em tom nude ou camelo. Dar um up numa dupla básica e curinga da maioria dos guarda-roupas, a camiseta e o shortinho jeans, com uma peça mais clássica num tom pastel, como o blazer rosa pálido, é uma forma hi-lo de aderir às cores lavadas, pois o contraste entre o short e o blazer, mais arrumadinho, dá bossa ao look, que fica a cara do verão com os acessórios em marrom.

O color blocking está no auge, foi a grande tendência de 2011 e tem tudo para continuar bombando 2012 adentro, só que com algumas adaptações. Contrastar uma cor forte com  peças neutras é uma abordagem mais fresca para as cores blocadas, e um bom exemplo é o look da calça amarelo-sol combinada com sobreposição de duas camisas, em branco e em azul claro. As camisas conferem ar mais sofisticado à calça de sarja amarela, ultrapop, e essa combinação é ótima para quem quer uma calça color, mas não quer parecer saída de um clipe do Mika! Kkkk... A mistura de cores mais acesas com outras mais escuras pode ser uma boa pedida para looks de noite, como a camisa azul escura recortada e a saia verde. O recorte já é ousado, então a camisa fechada até o último botão não fica nada careta, especialmente com o maxicolar arrematando o colarinho. O sapato também entra na brincadeira dos blocos, numa cor quente, para contrastar com as cores de fundo frio do look, porém um pouco mais lavada, para não dar aquele efeito "tudo-ao-mesmo-tempo-agora" que espantou alguns do color blocking. 

Incrível como a tecnologia coloca ao alcance de estilistas de diferentes países, com diferentes climas e calendários de coleções, a mesma informação. Isso só representa vantagem, pois a globalização da moda só contribui e facilita a construção dos nossos estilos pessoais e, sobretudo, da identidade do mercado fashion de cada país.

Fotos dos desfiles: FFW e Style.com