Assistir um desfile é um desafio pro olhar... Observar silhuetas, cores, estampas e comprimentos diferentes e achar um fio condutor entre todos esses elementos não é simples, mas é uma delícia. Não tenho pretensão de ser crítica de moda nesse post, vou analisar os desfiles com o olhar sobre moda que construí até hoje, com o que pesquisei e aprendi. No dia 25.04, o Preview teve os desfiles da UMA, e.Store e Patogê, mas não consegui boas fotos #snif Alessa, Fabiana Milazzo e Vitor Zerbinato, as três últimas marcas do dia, apresentaram propostas que, pelo que eu percebi, vão ser as mais certeiras pro próximo verão.
Alessa, carioquíssima, não fugiu às raízes. Comprimentos quase sempre longos, silhuetas amplas e fluidas, soltas ou acinturadas, e estampas que lembram o fundo do mar fizeram uma coleção que é a cara do lifestyle do Rio. A estamparia era feita de conchas que, ao longo do desfile, iam esmaecendo e se transformando em formas abstratas, bem psicodélicas, em fundo preto ou branco, num efeito bem interessante, mas achei que as texturas podiam ter sido mais exploradas, como no longo de estampa metalizada e no tomara-que-caia de camadas, que mistura superfícies furta-cor com outras mais rústicas. Também senti falta do lado mais urbano da Alessa, das camisetas com frases divertidas e dos acessórios gigantes... Só teria a acrescentar à cartela de cores ácidas, com rosa, verde e azul shocking.
O desfile da Fabiana Milazzo mostrou o forte da estilista: modelagem. Silhueta sempre próxima do corpo, seja mais ou menos estruturada, cheia de elegância e feminilidade. Fabiana também apostou bastante em texturas, como renda metalizada, paetês, recortes e até aplicação de boquinha, como no primeiro longo da foto. Aliar modelagem primorosa e texturas incríveis enriqueceu a coleção, que como é nitidamente focada em moda festa, poderia cair na mesmice. A inspiração do desfile foram as mulheres das músicas de Chico Buarque, inocentes e sensuais, e essa dualidade foi muito bem explorada na cartela de cores, composta de prata, branco-neve, off-white, vermelho e rosa, como numa descoberta das várias nuances da mulher. A beleza simples, que destacava a pele e os lábios, e os cabelos lisos, privilegiaram as roupas.
Um dos desfiles com mais apuro técnico, de todos os que eu vi, foi o do Vitor Zerbinato. Inspirado pelas profundezas do oceano, o estilista apresentou uma silhueta impecável, em linha A, lembrando rabo de peixe e sempre próxima do corpo. As texturas tiveram ótima evolução do início ao final do desfile, começando com camadas, pontuado com recortes, os dois feitos a laser, e finalizando com paetês foscos arredondados que remetiam às pérolas negras do mar. A cartela de areia, branco, marinho, amarelo e preto mostra bem a transição em direção ao fundo do oceano, e o amarelo e o preto nos looks finais, de moda festa, tradição de Zerbinato, reforçaram o visual deles, mas também fez destoar dos looks do início. A beleza, com cabelos puxados pra trás com gel e texturas gloss, foi acertada, reforçando a imagem de sereia urbana.
Fila final do Vitor Zerbinato



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