sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Diva da Semana: Laetitia Crahay

Um estilo autêntico sempre carrega uma dose de ironia, seja grande ou pequena. A moda tá presente em inúmeras (se não todas) partes da nossa vida, então por que não se divertir? Diversão com elegância é a especialidade da Laetitia Crahay, head designer da joaelheria da Chanel e a principal criativa da Maison Michel, marca de chapéus e casquetes que também faz parte da maison de Coco. Transgredir "convenções", mesmo que elas não sejam mais regra geral, e subverter os clássicos é marca da Laetitia.

Painel de inspirações e trabalhos pra Maison Michel


Muito antes de Kate Middleton andar por aí com mil e um arranjos de cabeça, os casquetes, tiaras e chapéus já faziam a cabeça (#trocadilhoinfame) das moças antenadas da Europa. A responsável? Laetitia, que conseguiu transformar em desejo instantâneo peças que eram tidas como antiquadas, principalmente chapéus. Os chapéus de abas mais largas e maleáveis, bem anos 70, deslancharam depois de lançados os modelos da Michel, e os fascinators são desejo desde que ela colocou a Maison de volta no mapa fashionístico, em 2009. Na hora de pensar nos modelos, o jeito "sou chique de nascença" típico das mocinhas francesas conversa com as referências góticas e fantásticas da Laetitia, que coloca nas campanhas ninfas sombrias e uma verve irônica do universo infantil. A orelha de coelhinho em renda preta ironiza a malícia oculta nos personagens das crianças, e quem não sente "Alice no País das Maravilhas" na míni cartola com um coelho?


Ilustrações e Laetitia usando a máscara de coelho que enfeitou Lady GaGa e gêmeas Olsen

Laetitia, no dia-a-dia, transmite mensagens fortes pelos looks. Ao mesmo tempo que é mestre no cool-descolex parisiense, referência de bom gosto, usa peças que não harmonizam com esse universo, como botas de couro na altura da coxa, megafetiche, e colares de plumas exóticas. Uma mínissaia colada bege não tem muito como fugir do vulgar, mas Laetitia consegue, com postura natural e biotipo favorável, colocar a saia de um jeito elegante, e o colete de canutilhos fica mais natural e menos perua. Até mais à paisana, mademoiselle Crahay é chique sem ficar casual demais: a camisa militar e a bolsa estampada com o union jack britânico dão o toque cosmopolita e divertido que tira o ranço hippie da bota surrada e do mantô meio folk, meio vintage.


Quem disse que combinar cor dos sapatos e bolsas é cafona? Tá escrito aonde que conjuntinho é careta e que grávida não pode usar estampa grande? Laetitia derruba tudo isso num look só! Acessórios combinados podem ser muitíssimo elegantes e nada caretas se usados com roupas modernas, como o vestido e o casaco preto e dourado com plumas. A sacada aqui é o caminho inverso: acessórios sóbrios para roupas ousadas. Pra tirar um look P&B do sério, ela mistura texturas, o tweed preto da blusa com o tecido mais fino da saia, ou desafia os truques de silhueta e usa um tubinho com uma faixa maior na cintura, o que aumenta o contraste e dá um ar mais gráfico na pegada lady do vestido.


Porque rir de si mesma nunca sai de moda!


PS.: A quem interessar possa, uma das edições da Marie Claire americana de 2009 ou 2010, se não me engano, tem uma reportagem enorme sobre a Laetitia, com fotos do closet dela, detalhes de decoração, bem voyeur, do jeito que a gente gosta! Dá pra achar scans dessa matéria no Google...

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Esporte de mocinha

Quando a gente pensa em peças com pegada sportswear, vem na cabeça leggings bem justas, camisetas de decote nadador, abrigos utilitários cheios de zíperes e tecidos resinados ou recortados, meio futurista. A moda tá aí pra tornar possível um universo tão característico, como o esporte, dialogar com outros tão únicos quanto, a exemplo desse look, que equilibra o vintage com o esporte.

Esportista girlie: sportswear mistura com o antiguinho pelo toque college

O segredo é explorar o lado menos óbvio da tendência, o que quase sempre significa aproximar um estilo do outro. Com essa onda oitentista nas fashion weeks, de tanto ver o lado mais literal das roupas esportivas, a gente esquece que as blusas mais largas estampadas com datas ou nomes de time, as jaquetas varsity dos jogadores de beisebol e todos esses elementos esporte do colegial americano também são sportswear. As pregas da saia (que mereciam ser beeem menos volumosas), o batom vermelho, o maxicolar dourado e o sapato de salto alto e bico bem fino dão um perfume vintage super feminino, que contrasta com a pegada mais descontraída da blusa de modelagem solta e com as mangas dobradas, que não perde jovialidade com o espírito college da peça.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Ler, enfim

Moda não é só roupa, e nem uma escolha aleatória do que se veste. Até quando a gente pega a primeira coisa que vê no armário, somos sempre direcionados por preferências ligadas à nossa personalidade, seja gosto musical, os filmes favoritos ou os livros de cabeceira. Um dos melhores jeitos, pelo menos pra mim, de aumentar nossa bagagem (e enriquecer nosso estilo) é com leitura. O post de hoje é mais culturette, mas tem dicas muito boas! #euamoler


- O Stylist - Interpreters of Fashion, é um dos livros de moda mais maravilhosos que eu já vi, de encher os olhos mesmo. Custa caro (tipo três dígitos, poisé) mas pra quem estuda moda ou é muito fascinado (mesmo) pelo assunto, vale o investimento. Com prefácio da poderosíssima Anna Wintour (a.k.a Miranda Priestley! #thedevilwearsprada), mostra as fotos mais fortes de grandes stylists do mundo da moda, junto com textos sobre o processo criativo de cada um, e como eles foram cair nesse mundo. O mais mágico desse livro, montado pela equipe do Style.com, site da Vogue US, é como o olhar dos stylists (e o dos fotógrafos, claro) acompanha as mudanças do mundo, e da forma como a gente se enxerga.

- On the Road é um dos maiores clássicos da literatura americana e mundial. O autor, Jack Kerouac, é um dos maiores representantes do movimento beatnik, que também se mostrou na música e na moda. Os beats, que faziam parte disso tudo, causaram no final dos anos 50, questionando aquele mundo cor-de-rosa e perfeitinho do american way of life, de esposas impecáveis, de vestido de cintura marcada, esperando o marido chegar em casa. A história conta a viagem de dois amigos pelas autoestradas dos EUA, com direito à muitas noitadas, e o jeito como Kerouac constrói a trama envolve quem lê e faz pensar se realmente temos todas as necessidades que são colocadas pra nós. Pra saber usar a moda... E em versões de bolso, super em conta!

- Cinéfila de carteirinha, já deu pra perceber que as divas do cinema dos 50 e 60 me encantam. Quinta Avenida, 5 da Manhã foi escrito por Sam Wasson, crítico de cinema que analisa, no texto, como o comportamento de Holly Golightly, a Bonequinha de Luxo, transformou a maneira como a mulher passou a se comportar, no início dos anos 60, e abriu caminho pra mulher de hoje. Com detalhes (e fofoquinhas de backstage!) da produção do filme, como a influência do Truman Capote, autor do livro que originou o filme, e até a implicância da Edith Head (top figurinista da época) com o pretinho Givenchy (!), que virou um clássico.

- Paris, Paris... Dez entre dez pessoas que já foram (OK, nove!), são apaixonadas pela cidade. Outro clássico da literatura, Paris é Uma Festa, escrito por Ernest Hemingway, mostra a efervescência cultural de Paris na década de 20, impulsionada por intelectuais e artistas americanos que foram pra lá. Assim como os beatniks, os intelectuais da época queriam mostrar autenticidade, vontade de fazer diferente, e as andanças sem destino do autor pela cidade, fatos verídicos da vida do próprio Hemingway, mostram como é importante entender o que a gente realmente gosta, o que faz inspirar de verdade. Ou vai usar camisa fechada até o último botão só porque a Alexa Chung usa?

Books are a girl's best friend!

terça-feira, 24 de julho de 2012

Summertime!

Voltando com a programação normal (UHUUUU! Entreguei meu último trabalho, prorrogado, na sexta!), tô cheia de idéias pra posts futuros, e vou começar com as apostas pro próximo verão, como falei no post dos sneakers. Essa temporada de verão foi uma das mais elaboradas que eu já vi, com sopro novo da década de 80 (junto com os ainda presentes 50 e 60) e estampas incríveis.


O sportswear e os anos 80 aparecem com força no verão 2013. As roupas com ar esportivo estão presentes há muitos verões, mas voltaram com mais força e bem mais versáteis, com ar de romance street, como na Cavalera, urbano luxuoso na Agatha ou a mocinha futurista do Reinaldo Lourenço. Vestidos estruturados com decote nadador, casacos de modelagem casulo e sobreposições com bermudas-ciclista são chave pra levar o esporte pra rua, principalmente se usados com peças mais curtinhas, como vestidos e shorts. A década de 80 deu as caras, nos ombros estruturados, com ombreiras, na Triton, ou mangas-presunto, na passarela do Alexandre Herchcovitch. As leggings também trazem referências dos 80, e vêm nos mais variados tecidos e texturas, mas as enceradas, como na Animale, prometem se manter como preferência.


O ar feminino, com toques dos anos 50 e 60, continua, mas agora são base pra vários temas diferentes. Os tubinhos e vestidos de cintura marcada foram "apimentados" por texturas, estampas e cores que se destacam mais que a modelagem. Inspirado no universo das flores, o desfile da Tufi Duek apresentou vestidos super femininos, com dobraduras em formato de pétalas, delicadas e bem modernas. A modelagem mais limpa com texturas mais urbanas, como o vinil e a estampa em alto relevo, dão um sopro novo ao futurismo dos anos 60, na leitura da Fernanda Yamamoto. A combinação de violeta, azul bic e laranja é classuda, e aproveita a paleta do inverno. Andrea Marques coloca os vestidos trapézio na passarela como t-shirts alongadas, dando um toque low-profile à feminilidade que é sua marca registrada. A Têca aproveitou pra colorir os vestidos "bonequinha" com estampas inspiradas nas viagens de Júlio Verne e a 2nd Floor, numa boa sacada, apostou no tema western, com vestidos texturizados em chamois, mas ainda assim bem leves pro verão, fugindo dos temas óbvios pras altas temperaturas.


As estampas e texturas desse verão são de encher os olhos! Na Têca e na Herchcovitch, estampas de fundo neutro, como preto e cáqui, são inspiradas em viagens pelo mundo e a atemporalidade delas, como dá pra ver no tratamento da estampa da Herchcovitch, que o cáqui dá aspecto antigo ao mapa. Estampas geométricas em cores vivas, como laranja, verde-água e azul, foram as apostas da Colcci e da Triton, que fogem do típico floral-folhagem dessa estação, e dão um verniz urbano, mas com astral de verão, pra leggings e vestidos. As aplicações da Coven e da Espaço Fashion tem efeito incrível, já que os arabescos aplicados nas peças são em alto relevo, além de agregar essas formas na estamparia de verão. Aliás, as da Espaço foram boladas pela Andreea Mandrescu, designer têxtil romena radicada em Londres, que já fez trabalhos pro Alexander McQueen (!!!). A textura adamascada das flores de cerejeira da Triton, que misturou a urbanidade pop com toques das meninas modernetes do Japão, enriquece a coleção visualmente e equilibra essa mistura com elementos japoneses tradicionais. O navy foge do comum na passarela do Reinaldo Lourenço, que ao invés de apostar nas manjadas (mas ainda muito amadas!) listras, toma os elementos das cordas e nós dos marinheiros. Opção é o que não falta... Bom verão pra vocês! 

Fotos: FFW

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A volta dos que não foram

Fim de semestre, beijos

Com licença, meu nome é Deborah e eu costumava escrever esse blog! A superlotação de trabalhos da faculdade consumiu o tempo que eu tinha e o que eu não tinha, mas eu não abandonei o barco não, viu, gente? Vou tentar postar algumas coisas essa semana, mas na próxima isso aqui vai voltar a funcionar, quando eu conseguir conciliar tudo junto-e-misturado. Até mais, então...